• Profº Perrud

A Proposta de Intervenção explicada

Entendendo a proposta de intervenção, com dicas e um modelo básico para você se inspirar

Imagine só, você acabou de escrever uma redação excelente, quase sem erros gramaticais, com uma estrutura bem trabalhada, com repertório cultural bem aplicado.

Logo, você finalmente está para escrever o último parágrafo do seu texto, então é só concluir, certo?

Errado!

O ENEM tem um diferencial importantíssimo quando comparado com outros vestibulares tradicionais (como a FUVEST e a UNICAMP):

A proposta de intervenção (avaliada pela quinta competência), nela, é esperado que o aluno resolva os problemas que ele apresentou durante o desenvolvimento.

E não deve ser ignorada, porque sozinha, a proposta de intervenção vale 200 pontos!

Mas não se assuste, você verá nesse breve texto que a competência 5 do ENEM é a mais fácil dentre todas. Na realidade, analisando um pequeno banco de redações que eu tenho, todas com 900+ pontos, só 25% perdeu pontos na quinta competência, tal fato é pela simplicidade da proposta de intervenção.

O quão descomplicado é a proposta de intervenção?

Bem, basicamente, ela precisa apenas de apresentar alguns elementos, e só. Se todos estiverem ali você conquista 200 pontos.

Portanto respire fundo e fique esperto nesse post para saber o que é preciso na proposta, conhecer o modelo mais usado, para você se inspirar, um macete para lembrar de todos os elementos da propostas e ainda, duas dicas simples para você treinar a proposta de intervenção sozinho!



As três Regras Básicas

O INEP, na cartilha de redação, propõe que o esperado do aluno é “Propor uma intervenção para o problema apresentado pelo tema significa sugerir uma iniciativa que busque, mesmo que minimamente, enfrentá-lo. (...) você pode apresentar as mais diversas formas de intervenção, desde uma sugestão de combate até uma solução efetiva da questão em foco.”

Porém, é preciso que você, além de entender que a conclusão precisa apresentar uma solução para a problemática, deve também seguir algumas regrinhas simples. Que são:


Respeite os direitos humanos.

O próprio Inep explicita a base comum para se considerar como direitos humanos, que são:

Dignidade humana; Igualdade de direitos; Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades; Laicidade do Estado; Democracia na educação; Transversalidade; vivência e globalidade; Sustentabilidade socioambiental.


Você não precisa, contudo, saber os direitos humanos de cor, é mais simples que isso, ao escrever pense no que seria moralmente aceitável. Um pouco de bom senso já é o suficiente.

Então, se atente a sua proposta de intervenção, para que ela não seja zerada por uma questão que pode ser evitada com um pouco de discernimento.


Seja objetivo e direto

Não escreva propostas vagas. Vejamos em exemplos:

Errado: “O governo deveria resolver o preconceito com educação”

Certo: “O Ministério da Educação, deveria realizar palestras em escolas, para ensinar preceitos morais, como o respeito ao próximo, independente de questões quaisquer”

Por isso, sempre tente buscar uma solução que seja plausível, direta, objetiva, e, principalmente, delimitada.

Não basta indicar que o governo deve agir, ou que é preciso resolver um problema, é preciso que você explicite claramente cada parte da proposta.


Resolva TODOS os problemas

Um erro muito comum entre os estudantes é esquecer de resolver todos os problemas apresentados no texto. Assim, o aluno resolve apenas uma problemática, enquanto ele desenvolveu duas, ou mais.

Destarte, não se esqueça de resolver os problemas apresentados no texto, não adianta problematizar algo se depois, você não puder apontar soluções concretas, então tome muito cuidado, quando escrever o rascunho, releia a redação.

Ademais, é possível escrever duas propostas, e apenas a primeira precisa conter todos os elementos!

Aqui vai um conselho, quando for escrever, tente colocar todos os problemas em torno de um mesmo ponto, por exemplo, vamos supor que você esteja escrevendo sobre a proposta “Persistência da violência contra a mulher no Brasil”.

- No desenvolvimento você escreveu que a violência persiste porque “falta canais de denúncia” e também porque “há um machismo estrutural na sociedade que faz a mulher depender economicamente dos maridos”, quando for escrever sua proposta, tente solucionar todos os problemas ao mesmo tempo:

“É preciso que o Ministério Público crie canais de denúncia e ação, que permita a mulher se desvencilhar do companheiro, mas também, com o apoio de ONGs, receber cursos profissionalizantes, permitindo que ela consiga melhores condições de trabalho, para não mais depender da renda do companheiro”.



Os elementos necessários à proposta de intervenção

Certo, você já sabe quais são as regras básicas para uma proposta de intervenção, mas agora vamos ver na prática o que é uma proposta bem feita, segue o exemplo retirado da cartilha de redação de 2016, feita por Sarah Christyan De Luna Melo.

“Destarte , fica claro que a Lei Seca ajuda tanto regulamentação do trânsito, quanto na formação moral do cidadão brasileiro. No entanto, a forma de tratar os que desrespeitam a lei pode ser mudada. Ao invés de aplicação de multas, o governo federal poderia buscar parcerias com ONGs interessadas e implantar um programa de reeducação social para os infratores. Cursos de conscientização, aliados a trabalho voluntário em comunidades carentes poderiam servir como orientação pedagógica para quem costuma beber e dirigir. Assim o trânsito no Brasil poderá tomar as formas de uma dinâmica mais ética e segura para todos.”

Primeiro, vamos ressaltar os elementos da proposta, explicando cada um.

- Agente, quem faz: “o governo federal”

- Ação, o que faz: “implantar um programa de reeducação social para os infratores”

- Modo ou meio, como faz: “Cursos de conscientização, aliados a trabalho voluntário em comunidades carentes”

- Finalidade, para que faz: “orientação pedagógica” e “Assim o trânsito no Brasil poderá tomar as formas de uma dinâmica mais ética e segura para todos”.

Contudo, falta um “elemento” importante de ser demarcado, o detalhamento, que não é um elemento propriamente dito, mas sim, uma extensão de um elemento para deixar a proposta mais complexa e, ao mesmo tempo, mais plausível.

Nesse caso, pode-se apontar “com ONGs interessadas”, por exemplo.


Dica infalível para você nunca se esquecer de nenhum elemento

Vale ressaltar ainda, que não se deve usar elementos vagos, como “governo”, “combate”, “nas escolas” ou mesmo “para resolver”. Caso você use palavraras como estas, tente em seguida delimitar concretamente, segue o exemplo, “o governo, através do Ministério da Fazenda”, “combater isso, através da criação de investimentos”, “nas escolas, com palestras periódicas”, “para resolver a dificuldade de empreender da população marginalizada”.

Sua proposta de intervenção deve apresentar todos os elementos e apresenta-los bem.



O Modelo mais básico de proposta de intervenção

Abaixo, explícito o mais comum modelo de proposta de intervenção, a maior parte das redações nota mil o usam, com suas próprias características. Lembre-se, não deve ser feito uma cópia, isso seria perda de autoria, mas sim, absorver a ideia e ter uma bagagem para escrever melhores propostas em suas redações.

E se baseia em colocar o Estado como agente principal de solução, seja criando leis, auxílios (financeiros ou não), ou mesmo, propondo a criação de projetos de marketing e comunicação. Na dúvida de como resolver o problema? Aponte para o Estado realizar, em termos simples, a maior parte das coisas que você pensar em propor o governo seria apto a realizar, então é quase garantido que será uma proposta objetiva.

Contudo, há uma ressalva, lembre-se de indicar qual seria o “braço” a realizar tal ação, algumas são fáceis, a educação fica a cargo do Ministério da Educação, e a economia a cargo do Ministério da Fazenda (ou Economia, como ficou decidido no governo do Bolsonaro) – cuidado, porém com os casos em que você não sabe quem é o agente atuante, por exemplo, quem seria apto a criar uma biblioteca? Ou uma campanha de marketing? Nesses casos, relembro aqui do nosso texto sobre como ler a proposta de redação, que dá uma dica de como descobrir possíveis agentes para a proposta de intervenção.

Sem mais delongas, vejamos a estrutura sinteticamente:

“O governo deve através do [inserir Ministério aqui], atuar realizando [ação concreta aqui, seja uma lei nova, um auxílio e etc.], através de [modo da ação, seja como essa lei deve ser fiscalizada, como o auxílio deve ser distribuído e etc.], além disso é importante ressaltar que [detalhar um dos elementos], desse modo, poderá se atingir [o que se espera com essa ação]”

Agora, vamos analisar na prática como um estudante pode adaptar esse modelo de forma eficiente e criativa:

“Portanto, fica evidente a necessidade de combater o uso de informações pessoais por empresas de tecnologia. Para tanto, é dever do Poder Legislativo aplicar medidas de caráter punitivo às companhias que utilizarem dados privados para a filtragem de conteúdos em suas redes. Isso seria efetivado por meio da criação de uma legislação específica e da formação de uma comissão parlamentar, que avaliará as situações do uso indevido de informações pessoais. Essa proposta tem por finalidade evitar a manipulação comportamental de usuários e, caso aprovada, certamente contribuirá para otimizar a experiência dos brasileiros na internet” (redação de Luisa Sousa Lima Leite, na cartilha de redação do Enem 2019).

Agente: “Poder Legislativo”, perceba que a participante não escreveu “o governo”, mas como explicado antes, foi objetiva;

Ação: “aplicar medidas de caráter punitivo”;

Modo/meio: “criação de uma legislação específica e da formação de uma comissão parlamentar”, que é ainda, detalhada (“que avaliará as situações do uso indevido de informações pessoais”);

Finalidade: “evitar a manipulação comportamental de usuários”.

Viu, apesar de ser um modelo simples, ele pode se desdobrar e fornecer um jeito simples para resolver qualquer problemática.

Vejamos mais um exemplo:

“Evidencia-se, portanto, que a manipulação advinda do controle de dados na internet é um obstáculo para a consolidação de uma educação libertadora. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação investir em educação digital nas escolas, por meio da inclusão de disciplinas facultativas, as quais orientarão aos alunos sobre as informações pessoais publicadas na internet, a fim de mitigar a influência exercida pelos algoritmos e, consequentemente, fomentar o uso mais consciente das plataformas digitais. Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça, em parceria com empresas de tecnologia, crie canais de denúncia de “fake news”, mediante a implementação de indicadores de confiabilidade nas notícias veiculadas – como o projeto “The Trust Project” nos Estados Unidos – com o intuito de minimizar o compartilhamento de informações falsas e o impacto destas na sociedade. Feito isso, a sociedade brasileira poderá se proteger contra a manipulação e a desinformação.” (redação de Natália Cristina Patrício Da Silva, na cartilha de redação do Enem 2019).

Mas agora, deixo para você um exercício prático simples, tente identificar os elementos, das duas propostas.


Por fim, perceba que as duas propostas tem uma ideia comum, que deveria se criar algum tipo de medida direta contra as “fake news”, mas a primeira estudante pensou na utilização de uma bancada parlamentar, e a segunda, a implementação de um indicador de confiabilidade nas notícias.

É a chamada originalidade de um texto, duas pessoas podem abordar um mesmo assunto por perspectivas diferentes, terem as mesmas ideias e, mesmo assim, escreverem textos incríveis e diferentes.



Uma dica de treino especial para a proposta de intervenção

Se você tem dificuldades com a proposta de intervenção, sugiro duas dicas:

1. Leia redações nota mil, não precisa ler a redação toda, apenas a proposta, isso vai de dar vários insights sobre como terminar o texto;

2. Escreva propostas a esmo, isso mesmo, escreva só propostas, pegue redações suas ou de outras pessoas, as leia, e apenas escreva um parágrafo final, vai ser difícil no começo, mas com a prática, vai ficar fácil.


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©2020 por Vinicius Perrud